_parte 1: Entrando na Twilight Zone

Perdi noção das horas. Meu corpo já não sabe mais se as 11 horas do relógio são da manhã ou da noite. Dentro do avião está escuro e tem até estrelinhas brilhando no teto, mas dá para ver pelas frestas das janelas que o sol brilha lá fora. Uma olhada na tela da minha frente diz que estamos sobrevoando a fronteira entre o Chade e o Sudão. Se tivéssemos que fazer um pouso forçado, será que iriam me levar para o Sheraton Khartoum? Fisicamente, queria me jogar em uma cama macia, de lençóis brancos e cheia de travesseiros. Não sem antes tomar um longo banho para lavar os meus cabelos, que nunca estiveram tão oleosos.

Só que ainda estou no meio da jornada entre Curitiba e Tóquio. Faltam as três horas de voo até Dubai, algumas horas perambulando pelo terminal no melhor estilo zumbi pós-moderno e 9 horas de voo até Narita, no impressionante Airbus A380.

Acho inacreditável e ainda fico surpreso com a possibilidade de entrar em um avião no Rio de Janeiro e, 14 horas e 7 fusos-horários depois, ser despejado em um terminal futurista no coração do Oriente Médio. O corpo viaja mais rápido do que a alma.

Já comi, já dormi, já assisti a todos os episódios da primeira temporada de 2 Broke Girls, já caminhei várias vezes até a fileira 21 (estou na 47, perto do rabo) e não consigo escolher um filme para assistir devido à enorme oferta. São mais de 1.500 programas, entre filmes, séries de TV, documentários, podcasts e jogos. Trouxe um livro, mas estou muito cansado para ler letras e tentar fazer sentido do escritor Haruki Murakami, em espanhol.

Por isso resolvi escrever, antes que sirvam nosso jantar, ou almoço, ou café da manhã, dependendo de qual relógio eu olhar. O meu, que ainda está no horário do Brasil, o do avião, que mostra o horário do sudanês ou o do destino. Isso sem contar que em Tóquio as pessoas já estão indo dormir, pois o sábado lá já acabou. O meu não existiu.

É a primeira vez que voo de Emirates depois de 6 anos. Houve uma época em que voo da Emirates para mim era mais fácil do que pegar táxi. Dubai-Londres, Sydney-Dubai, Malta-Trípoli, Hong Kong-Bangkok, Dubai-Nova York. Eu conhecia cada compartimento, cada barulho, cada tipo de avião. E a empresa continua impressionando. Fico chocado com o tamanho da tela de TV pessoal, com a iluminação da cabine, que simula tanto o nascer quanto o por do sol. A atenção do pessoal de cabine, a qualidade da comida, a oferta de bebidas e até com o conforto do assento (leia-se conforto com várias aspas, em se tratando de classe econômica).

Bem, chegou a hora de escolher entre o tajine marroquino de cordeiro ou o frango com feijão preto. Por hora é isso. Quando puder, escrevo mais.

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Novidades nos aeroportos do Brasil

Gostaria de compartilhar algumas novidades que li ou experimentei nas últimas semanas:

• Quem está acostumado a fazer busca de preços de passagens internacionais baratas sempre partindo de GRU deve começar a pesquisar também de GIG. Já são várias as companhias aéreas que voam tanto para GRU quanto para GIG e tenho visto que muitas vezes saindo de GIG o preço fica de 200 a 300 dólares mais barato. A Air France, a KLM e a Emirates são algumas delas.

• A companhia aérea Etihad, baseada em Abu Dhabi, anunciou que voará para GRU a partir de junho de 2013. Sendo assim, as três famosas empresas do Oriente Médio marcaram presença por aqui. A Emirates já voa duas vezes por dia de Dubai para o Brasil (GIG e GRU). A Qatar voa diariamente para GRU e há boatos que em 2013 passará a operar GIG.

• A TAM passou a operar o Boeing 777 na rota GRU-MIA. Apesar da configuração na Classe Econômica ser 3-4-3 assentos (odeio ficar no meio) o avião é mais espaçoso do que o Airbus 330, principalmente no que diz respeito a compartimentos de bagagem de mão.

• A TAM também passa a operar a rota GIG-MCO (Orlando) em Novembro. Serão três voos diários diretos entre o Brasil e a cidade da Disney, dois de GRU e um de GIG.

• A American Airlines (companhia que eu detesto, mas novidade é novidade) inaugura um voo diurno de GRU para JFK para concorrer com o da TAM. A rota Salvador-Recife-Miami de divide em duas e haverá voos tanto de Salvador quanto de Recife para a Flórida. Lembrando que a AA também voa de Manaus, Belo Horizonte e Brasília para Miami direto (bem como a TAM).

• A Emirates e a Qantas passarão a operar as rotas para a Austrália em conjunto. A QF vai transferir seu centro de conexões de Singapura para Dubai. Acredito que assim que isso acontecer, passaremos a ter bilhetes do Brasil para a Austrália, via Dubai, com melhores preços. Se bem que nada bate em conforto o voo Buenos Aires – Sydney direto que a QF faz. Mas como em aviação nem sempre conforto é igual a preço bom, vamos fazer o caminho mais longo.

• Outra empresa que marca presença forte por aqui é a Copa Airlines, com base na Cidade do Panamá. Já viajei com eles várias vezes. Os aviões são um pouco pequenos e os assentos apertados. O serviço é médio e as refeições também. Mas sempre há ótimos preços, principalmente para a América Central, Caribe, México, Canadá e EUA. As conexões em PTY são geralmente rápidas e também dá para acumular milhas Fidelidade/Multiplus por fazer parte da Star Alliance. Porto Alegre, São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Manaus têm ligações diretas com a Copa.

• E por último, algo que não tem muito a ver com avião. Mas descobri que quem viaja para os EUA sem precisar de visto (passaportes europeus, por exemplo) tem que pagar pelo ESTA, que é a pré-autorização de entrada nos EUA. Antes era de graça. Só certifique-se que está preenchendo tudo no site oficial do governo americano. É bom imprimir o código de autorização de entrada, que tem validade de 2 anos. A cada ida aos EUA, é preciso preencher os dados no sistema antes do embarque. O bom é que não precisa mais preencher aquela ficha verde antes da imigração. Vai só com o passaporte e com o papelzinho azul da alfândega.