Stieg Larsson’s quarto manuscrito – será que vamos poder ler?

Lisbeth Salander no filme "O Homem que não amava as mulheres"

O jornalista e escritor sueco Stieg Larsson

O jornalista sueco Stieg Larsson, criador da personagem Lisbeth Salander, morreu de um ataque do coração fulminante ao subir as escadas de seu trabalho. Stieg tinha 50 anos, fumava como louco e era ávido por junk food. As teorias da conspiração na Suécia dizem que foi obra de grupos neonazistas e de extrema-direita, que eram constantemente investigados por Larsson.

O que importa é que antes de morrer, ele deixou pronto três livros que fazem enorme sucesso mundo afora. A Trilogia Millennium já vendeu mais de 40 milhões de cópias ao redor do planeta. A Suécia, com cerca de 9 milhões de habitantes, comprou 3,5 milhões de livros de Stieg Larsson. Os três livros estão na lista dos mais vendidos na Alemanha desde o começo de 2009 e foram traduzidos em 35 idiomas. Na França, venderam mais do que todos os Harry Potters e apenas o primeiro livro, que nos EUA tem o título The Girl With The Dragon Tatoo, já vendeu 4 milhões de cópias por lá.

No Brasil, os livros chamam-se O Homem Que Não Amava As Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha Dos Castelos de Ar. São nomes estranhos para livros tão bons. E os fãs da trilogia também foram ao cinema, depois do lançamento do filme do primeiro livro. A bilheteria já rendeu US$ 93 milhões. Nada mal para um filme em sueco. Mas aguardem, boatos correm que Brad Pitt será a versão hollywoodiana de Mikael Blomkvist.

Depois de sua morte, uma novela digna de outro livro começou na vida real. Sua companheira, Eva Gabrielsson, que viveu junto com Larsson por 32 anos, não tem direito a um centavo do que vale a fortuna de direitos autorais do Millennium. Isso porque eles nunca foram casados de papel passado e a Suécia não reconhece o concubinato. Eles nunca formalizaram o casamento pois se o fizessem teriam que tornar o endereço de residência público e isso poderia atrair terroristas skinheads, alvo constante das matérias investigativas de Larsson.

Hoje uma batalha judicial entre Gabrielsson e a família de Larsson corre nos tribunais da Suécia. A opinião pública é totalmente a favor dela, mas o pai e o irmão, de quem Stieg nunca foi muito próximo, querem ficar com a bolada. Mas Eva tem um trunfo em suas mãos. O laptop de seu ex-marido contém o manuscrito de um quarto livro, que seria a culminação das aventuras de Lisbeth Salander. O laptop é tão precioso que está guardado nos cofres do Banco da Suécia. É a carta que Eva tem na manga e que todos esperam um dia poder ler.

Eu, se morasse na Suécia, escreveria um livro a toque de caixa sobre todo o bafafá em torno do espólio de Stieg Larsson, estimado em US$ 15 milhões. Seria um best seller com certeza. E tentaria convencer Eva a lançar o quarto livro, mesmo que inacabado. Quem já leu algum dos livros sabe como são viciantes. Quem não leu, por favor, agilize-se. Há edições econômicas da Companhia das Letras até mesmo em postos de gasolina do Brasil.

E a propósito, o filme está em cartaz aqui também. Mas eu leria o livro antes, sem sombra de dúvidas.

Capa do primeiro livro em português da Trilogia Millennium

A revista Millennium existe na Suécia

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