Deu preto na moda

Isabeli Fontana para Forum

Isabeli Fontana para Forum

O baixo astral da crise chegou nas passarelas. Ontem, assistindo à cobertura do GNT no SPFW, percebi que os efeitos colaterais da crise já influenciaram a criatividade dos nossos estilistas.

Tufi Duek apresentou peças lindas (que infelizmente só vestem bem quem tem mais de 1,80 de altura), todas pretas, feitas para uma mulher meio selvagem, mistura de amazonas com heroínas futuristas de histórias em quadrinhos.

O multicolorido Lino Villaventura fez o que nunca tinha feito antes: uma coleção inteira preta. No final, uma surpresa. As roupas eram dupla face, com um pouco de cor do lado avesso. Ele muda o estilo mas não perde a identidade. Adorei.

Adorei esse vestido do Lino Villaventura

Adorei esse vestido do Lino Villaventura

Isabela Capeto, com um conceito meio esquisito de “balneário viking”, também apostou no black. Gostei bastante, adoraria ter várias daquelas peças no meu guarda-roupa.

Isabela Capeto

Isabela Capeto

Alexandre Herchovitch colocou um pouco mais de cor na passarela, mas o caos urbano guiou suas criações. Uma mistura de tudo ao mesmo tempo agora. Confuso e bonito.

Alexandre Herchovitch

Alexandre Herchovitch

Poesia, arte e delicadeza ficaram por conta de Ronaldo Fraga. Ele sempre surpreende. Faz moda com decência, consciência, atitude e opinião. Segue tendências sim. Mas não uma tendência perecível, efêmera, que se traduz em cortes ou cores. Ele segue as macro tendências, trabalha com comportamento. Ontem ele só colocou velhinhos e crianças na passarela. Quebrou paradigmas sem chocar ninguém, sem agredir, sem criar polêmica. Seu desfile foi encantador.

Velhinha do Ronaldo Fraga

Velhinha do Ronaldo Fraga

Sobre o Marcelo Sommer (Do Estilista) nem vou falar. Achei feio, feio, feio. Pelo menos trocou o preto pelo azul…

F.

É muito feio, né?

É muito feio, né?

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Criatividade atrás das grades

Santa Fu é o nome da marca de produtos irreverentes e divertidos que está virando mania na Alemanha. O bacana é que foi criada e desenvolvida pelos detentos da penitenciária de Fuhlsbüttel, que fica em Hamburgo.

O conceito “mercadorias quentes da cadeia” conduz a filosofia da grife, que satiriza ícones da cadeia. A logo é formada por quatro traços cortados por um quinto risco, símbolo que lembra o método com que presos contam os dias atrás das grades. O jogo da memória, por exemplo, mostra fotos de tatuagens dos presos. As camisetas e bótons trazem palavras como “culpado”, “inocente” e “perpétua”. No livro de culinária “Huhn in Handschellen” (Galinha Algemada), uma das receitas mais inusitadas é a do “espaguete com peixe torturado”. Realizado em parceria com agências de publicidade, o projeto foi premiado com o selo “Alemanha, país das idéias”, um reconhecimento do governo alemão a empreendimentos inovadores no país.

Parte da renda é destinada a uma entidade de assistência a vítimas de crimes. Até agora já foram vendidos mais de 17 mil produtos, faturando quase 300 mil euros.
Veja lá: http://www.santa-fu.de

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