Uma semana na Córsega

No meio do Mediterrâneo

Nos meses de verão, o Mediterrâneo vira uma festa. Da Espanha ao Líbano, as praias enchem de gente, de barcos, de baladas e, principalmente, de turistas. Na Espanha, França e Itália, por exemplo, faz parte da cultura o mês de férias de verão, não apenas nas escolas, mas de funcionários em geral. A impressão é que as grandes cidades literalmente fecham para as férias.

Fui aproveitar um pouco do calor e da animação para conhecer a Córsega. Resolvi não me encher de informação e deixar a ilha me surpreender, afinal, o itinerário da viagem já estava estabelecido e como ficaria a semana toda em um barco, não foi preciso me preocupar em buscar hotéis e restaurantes. Para a minha surpresa, assim que cheguei em Paris, a capa da revista Geo era a Córsega, e pude ler um pouco sobre o que está se passando na ilha hoje em dia (turismo rural, gastronomia orgânica, preservação da natureza etc).

Capa da revista GEO de julho 2012

Também estava seguro de que iria conhecer lugares lindos, pois para cada amigo francês que eu contava que estava de viagem marcada para a île de la beauté (ilha da beleza), escutava “oh lá lá, superbe, magnifique, quelle envie!”.

A ilha faz parte da França, mas tem uma cultura própria. O idioma é um misto de italiano, francês, catalão e dialetos genoveses, napolitanos e sardos. Mas bien sûr que o francês é a língua oficial e a que todo mundo fala e entende. Muita gente que saiu de lá nos anos 1980 e 1990 está voltando para abrir pequenos hotéis de charme ou produzir vinhos, queijos e salames. Imagine que houve uma época em que grupos terroristas queriam a independência da França e colocavam até bombas em Paris. Mas passou… eu acho.

Tábua de especialidades locais. É de comer rezando, de tão bom! Com um vinho rosé bem gelado, melhor ainda!

A primeira surpresa foi BONIFÁCIO, no extremo sul. Dali, dá para ver a costa da Sardenha. A cidade fica escondida detrás de uma falésia de areia. Quando a gente chega, só vê algumas casinhas penduradas em cima da falésia. Mas, ao passar por um estreito, entra-se no porto e se vê as muralhas da cidade antiga. É lindo! Para subir até o centrinho antigo, tem um trenzinho, que é super para turistas, mas salva uma caminhada morro acima.

Vista impressionante da chegada a Bonifácio pelo mar

A vista do pôr do sol é inacreditável. A cidade para pára ver. Vários restaurantes e cafés ficam literalmente suspensos sobre a imensidão azul. Eles servem especialidades locais como vinho, salames e queijos, que são divinos e estão conquistando os grandes restaurantes de Paris por causa da qualidade.

Viu o que eu disse? A sacada é de um restaurante e fica flutuando sobre o mar azul, lá em baixo! Quem sofre de vertigem deve evitar ;-)

Ali pertinho fica a Reserva Natural das Bocas de Bonifácio, uma praia de areia branca e água rasa, que é a versão chique do Piscinão de Ramos.

Versão francesa do Piscinão de Ramos, na Reserva Natural de Bouches de Bonfiacio

De Bonifácio fui até AJACCIO, a capital e cidade natal de Napoleão Bonaparte. É uma cidade maior, mais parecida com Gênova ou Nice. Há boas lojas e o porto é bem animado. De manhã, fui correr pela orla e vi mais praias de areia branca, coisa rara no Mediterrâneo.

Entre Ajaccio e Calvi, no norte da ilha, há o Parque Natural de SCANDOLA, que é um dos lugares mais lindos que já visitei. As montanhas vermelhas caem direto no mar azul e formam um paredão. No topo de cada uma, dá para ver fortificações medievais que serviam para proteger a ilha. O bom é que não tem quase ninguém por ali, então dá para brincar de Robinson Crusoé, em praias desertas. Só não dá para entrar parque adentro, pois a região é protegida. E vai que tem algum javali perdido por ali!

La Scandola é um escândalo!

Que estreito!

Grutas, cavernas, montanhas, água azul, eu!

CALVI foi outra surpresa. Adoro essas cidades europeias medievais, com muralhas e fortificações. Passeei pelo centrinho, mas logo voltarmos para o barco, para fazer a viagem de volta à costa azul, que dura cerca de 12 horas.

Calvi, c’est très beau!

Há voos diários e frequentes de Paris para várias cidades da ilha. Sugiro alugar um carro para poder explorar tanto a costa quanto o interior. É bem fácil também de alugar um barco inflável nos portos, para poder explorar as praias e grutas. Na alta temporada o fluxo de turistas, principalmente franceses, é enorme. Por isso iria na primavera, ou quando a França volta a trabalhar, em Setembro.

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