Meus dias em Trípoli, na Líbia

Em 2006 eu ainda trabalhava de comissário na Emirates e começamos a voar para Trípoli, na Líbia. Em um mês, fui três vezes para lá. Em uma delas, fiquei três dias na capital do Coronel Gaddafi. Nas outras, apenas 24 horas.

Dos países para onde voávamos, a Líbia era o único que confiscava nossos passaportes no aeroporto. Chegávamos, entregávamos os documentos para os policiais, que ficavam horas colocando informações em um computador muito velho. Nós ficávamos em uma sala de espera, de pé, sem poder conversar nem tirar fotos dos enormes painéis com imagens do Gaddafi.

ele está por todos os lados

No caminho para o hotel, ganhávamos dinheiro local, para gastar com alimentação durante a estadia. Uma guia bem jovem e bacana nos ia explicando sobre o país, dando risada e contando piadas. O hotel era um show, o Corinthia Bab Africa, um arranha-céu em frente ao Mediterrâneo. Na época era o único hotel 5 estrelas de Trípoli e o bom é que ficava ao lado da Medina, a cidade velha.

o hotel

vista do apartamento

O pessoal da Emirates pedia para a gente não sair do hotel, ou, se fosse o caso, sairmos em grupos. Houve histórias de gente que teve sequestros relâmpago e foram deixadas no meio do deserto, no subúrbio da cidade, sem dinheiro. Bem, eu não queria chegar em uma das cidades mais exóticas, em um dos países mais fechados da África e ficar vendo CNN no quarto do hotel. Convidei alguns dos outros comissários e fomos explorar a cidade.

Como quase não havia turistas na Líbia, não há assédio nos mercados e lojinhas. Quem já foi para o Marrocos ou Istanbul sabe bem como é chato o povo que fica querendo te vender de tudo. Pois em Tripoli, não. Por outro lado, parecia até que os locais tinham medo de chegar perto dos estrangeiros, sendo que muitos dos meus colegas estavam falando em árabe.

ruelas da cidade antiga

edifícios do World Trade Center de Trípoli

O melhor da viagem foi uma excursão que fizemos para Leptis Magna, um conjunto de ruínas romanas super bem preservado, na beira do mar azul. Alugamos uma Kombi e fomos cantarolando músicas populares libanesas, parando para tomar café e chá nas bibocas da estrada, até chegarmos a Leptis, a mais ou menos uma hora e meia da capital.

O mais impressionante foi notar a quantidade de praias lindas e inexploradas ao longo da costa! E as ruínas, realmente, estão em um ótimo estado (ou estavam, antes do bombardeio da Otan). Outra coisa ótima também foi o restaurante marroquino do hotel, onde tota a high society de Tripoli vinha ver se ser visto. Fui com um amigo de Abu Dhabi e ficamos hora batendo papo furado, vendo Tripoli e imaginando o que seria daquele país nos próximos anos.

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Um comentário em “Meus dias em Trípoli, na Líbia

  1. Querido Vi,
    eu fui também (em 2008), fiquei no mesmo hotel e também fui a Leptis, que achei incrível (esses romanos foram os pioneiros do franchise… em todo lugar que conquistaram faziam um modelo semelhante de cidade!). Fiquei impressionada com a sujeira, nas ruas, nas praias e a tristeza e medo das pessoas! Kadafi escreveu o Livro Verde, contendo aquilo que considerava a verdade sobre o seu regime, copiando a idéia do Livro Vermelho de Mao TseTung… Fui também a um museu, de uma pobreza incrivel, porque só tinha objetos dele: as tendas em que vivia no deserto, o primeio jipe, o primeiro rifle. Em termos de cultura árabe, nada de nada. Em termos de artesanato, também muito pobre. Valeu pela experiência.

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