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a arte nos tempos de crise

Entre inúmeros questionamentos de como a crise mundial está afetando o mercado de arte contemporânea, aconteceu entre os dias 11 e 16 de fevereiro, a 28a edição da ARCO Madri, uma das maiores feiras do gênero na Europa. Foram 238 galerias de 32 países espalhadas por áreas com diferentes curadorias, e um convidado especial: a Índia, o centro das atenções por trazer à capital espanhola um pequeno exemplo de sua atividade artística, representada por 13 galerias.

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O país despertou a curiosidade do público e da crítica por ser uma potência econômica atual, berço de culturas e religiões. Possui uma grande variedade linguística e racial, além de uma criatividade arrebatadora. A Índia passou de ser um destino exótico, com arte étnica, para transformar-se em um pólo de criação artística. É considerada a revelação do último ano, com uma valorização dos artistas e o auge do colecionismo privado, que fazem desse mercado um dos mais promissores.

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Por um lado, os artistas locais estão experimentando um forte crescimento em suas cotações e estão cada vez mais presentes nos leilões internacionais. Por outro, o panorama das galerias está se consolidando cada vez mais, centralizado em Nova Délhi e Mumbai, mas também presente em outros centros como Bengaloru (ex-Bangalore) e Kolkata (ex-Calcutá), onde surgem constantemente novas galerias e centros de arte independente. Em Mumbai, o distrito de Cobala se firma como o novo bairro artístico, com mais de 20 salas de exposição e inúmeras lojas de design. Outro centro importante para a difusão da arte contemporânea indiana é Dubai.

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Segundo a organização do evento, o mercado sente os efeitos da crise, e isso se nota em um evento com objetivos essencialmente comerciais. Mas apesar de fatores inegáveis como esse, o balanço final da ARCO 2009 foi positivo. Novas galerias, artistas emergentes e uma certeza: alguns colecionadores sempre voltam. Pensando nisso, as galerias optaram por apostas seguras. O resultado foi uma feira mais discreta e menos ousada, um tanto conservadora, com maior presença de pintura e obras gráficas. Entre as novas propostas da ARCO, dois espaços: Cinema, dedicado à exibição de obras audiovisuais, e Performing, patrocinado pela grife de roupas MANGO, uma área totalmente mutante para a realização de perfomances com programação fixa dentro do evento. Mais um exemplo de que em tempos de crise, apesar da sobriedade, é preciso investir em criatividade para diversificar as áreas de atuação.

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a Índia conquista Madri

Para aproveitar o convite recebido para ser o país de destaque na ARCO 2009, a Índia cobriu Madri de eventos e publicidade a fim de atrair interesse para seus filmes, teatro, comida e claro, hotéis. Já no aeroporto, grandes cartazes luminosos incentivavam o turismo na Índia com o slogan “Incrível Índia”. Exposições, ciclos de cinema e debates no clima da feira de arte. O Centro Cultural Matadero promoveu o Experimenta Film Festival Intermedia, coordenado por Shai Heredia, diretora do primeiro festival de cinema experimental da Índia desde 2003. Um seleção de filmes experimentais foram exibidos durante a noite, nas datas da ARCO.

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Sheela Gowda, Amar Kanwar, N S Harsa e Anup Mathew Thomas foram os artistas indianos convidadados para a exposição “Reflexos da Índia Contemporânea” que ficou na Casa Encendida, um centro cultural de Madri, até o dia 04 de janeiro. A mostra trouxe diferentes disciplinas como vídeo, instalacão, pintura e fotografía, para tratar temas como a violência, imigração, identidade cultural e a transformacão das áreas urbanas e rurais.

“Cultura popular India y más allá: los Cismas Jamás Contados” é o projeto da Sala Alcalá 31 que continua até 24 de maio. Uma idéia ambiciosa que pretende discutir elementos importantes e presentes na cultura visual popular da Índia. A Casa Ásia organizou diferentes ciclos de conferência com temas como “La oscuridad del intelecto: religión y pensamiento en la India antigua”.

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coffee + art

A marca de café Illy deixou os pavilhões da ARCO 2009 mais charmosos com seus cafés em vários pontos da feira. Um deles, com sua própria instalação artística feita com xícaras estilizadas. Em cada espaço, a marca disponibilizou números de sua revista “Illywords” sobre estilo de vida, arte, gastronomia, etc. Cada número trata de um tema específico como tecnologia e ecologia, identidade cultural e cidades. Faz parte do projeto de incentivo cultural IllysustainArt.

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revista em forma de lata

La Lata se define como uma revista objeto. É uma lata de alimentos transformada em suporte artístico. Duas vezes ao ano, um grupo da cidade de Albacete, na Espanha, realiza uma convocatória sobre um tema específico para os artistas que queiram participar com “obras” para o interior da lata. São todas numeradas e a quantidade de obras varia para cada edição. São vendidas em lojas de museus e livrarias.

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revista diferente

La Más Bella é um coletivo editorial que, além de realizar projetos pontuais, publica a revista homônima, em diferentes formatos a cada número. Pode ser em forma de um disco, com diferentes capas, usando os editores como imagem principal; com o tema tapa, que são as porções para petiscar na Espanha (uma caixinha contendo bloco de garçom, garrafa, prato, copo, etc…); sobre política ou ecologia, por exemplo. Além do conteúdo, o suporte é a mensagem. Muito parecida com as “revistas” Visionnaire.

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