O acaso por mera coincidência ou a coincidência por mero acaso?

Final de semana assisti a duas coisas que previamente não tinham nada em comum, mas que acabaram se completando.

O filme Última Parada 174 não é filme pra Oscar (não que eu ache que o Oscar faça uma seleção do que há de bom), mas é um bom filme. Um bom filme por falar do que ele fala. Você sai com a sensação de que tudo está errado (não que já não soubéssemos isso, mas aquilo é colocado na sua frente com um pouco mais de clareza). O mundo está errado. E não é coisa de agora, não é um mau governo agora. Vem de antes, muito antes. E é aqui que ocorre o que há de melhor na arte, a interação e a criação de um repertório (palavra kitsch que ainda funciona).

174

The Cachorro Manco Show é uma boa peça, dirigida por Moacir Chaves, texto de Fábio Mendes e atuação de Leandro Daniel Colombo. Em um determinado momento o personagem, em uma das muitas interrupções que a peça tem, vira e fala:

“Para Adão, faltavam-lhe poucas letras pra Ladrão e para Fruto virar Furto, nenhuma”.

Aqui não é uma reflexão sobre quem acredita ou não em religião, mas uma análise metafórica da representação do erro inicial. Uma representação que as cagadas já vem de antes. Não adianta só culparmos os políticos (que têm sim muita culpa) se somos reflexo disso.

E o personagem continuava: “Vocês, com seus narizinhos debilitados, são macaquinhos. Macaquinhos!”

Fábio Miranda

cachorro_manco

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