A Pulp também faz revistas

Você sabia que também fazemos revistas? É o que chamamos de CONTEÚDO CUSTOMIZADO. Por isso um artigo publicado na revista do jornal francês Le Monde nos chamou a atenção. Fizemos uma tradução rápida para postar para você. Para ler a versão original, em francês, clique aqui.

Tradução do artigo “La mode sous presse”, por Vicky Chahine

ACNE PAPER não serve para vender nossos produtos, mas para trazer uma reflexão sobre o mundo, os artistas e as pessoas que nos inspiram”, explica Thomas Parsson, redator-chefe da revista semestral da marca sueca Acne. É uma publicação que se aproxima mais às revistas de arte para iniciados do que a um catálogo de venda por correspondência. No índice da última edição, há um portfólio do trabalho de Louise Bourgeois, uma conversa entre a artista Hanneline Rogeberg e a escritora Siri Hustvedt, uma entrevista com o fotógrafo Paolo Roversi, sem esquecer dos editoriais de moda, onde a marca aparece apenas esporadicamente. “A revista nos permite criar uma rede artística ao redor da marca, como se fôssemos mecenas” afirma Parsson.

A estratégia dá resultado. Dos 25.000 exemplares vendidos em lojas e livrarias especializadas a 10 euros cada, a revista encontrou seu público, não necessariamente clientes da marca. “A Acne decidiu há tempos não comprar mais espaço publicitário e passamos a pensar nossa estratégia de marketing de forma diferente”, diz Parsson. E se são poucas as marcas de moda que renunciaram à presença na imprensa, são várias as que, como a sueca, investem no mercado editorial. “As campanhas custam caro e a veiculação ainda mais. Uma página dupla na abertura da Vogue sai cerca de 50.000 euros. Em comparação, para editarmos uma revista, gasta-se menos da metade” diz Jean-Michel Bertrand, professor associado do Instituto Francês de Moda.

Isso sem contar que, como na imprensa tradicional, estas revistas também abrem espaço para anunciantes. Bebidas alcoólicas, companhias aéreas, perfumes e um enorme universo de marcas que não concorrem com a principal financiam parte do projeto editorial. “O total gerado por anunciantes externos cobre 25% dos gastos da revista e o custo restante representa cerca de 5% do budget anual do grupo”, revela Giorgio Guidotti, responsável pela comunicação da marca Max Mara sobre a revista semestral MM Magazine, da qual é diretor criativo. Lançada em 1989, a revista tem hoje uma tiragem de 550.000 exemplares, distribuídos gratuitamente nas lojas e a 3,50 euro nas bancas de revista da Itália.

“A venda individual nas bancas representa apenas 5.000 exemplares, mas o preço de capa dá valor à revista e fideliza a clientela. Publicamos artigos sobre viagens, perfis, entrevistas, conselhos de beleza e decoração e assuntos que giram no universo da marca”. E muitas peças da marca, presentes em quase todas as páginas da revista, fazendo dela um grande “revistálogo”, como define Guidotti.

“A imagem é um dos pilares das marcas de luxo. A revista serve para construir uma personalidade, a dar um sentido à ela. Não é algo para vender diretamente o produto, mas para dar qualidade ao relacionamento com o cliente. Há duas estratégias possíveis: dirigir-se ao consumidor centrando na marca e em seus valores ou abrir-se para o mundo. É uma maneira de conquistar os clientes assemelhando-se a eles”, conclui Jean-Michel Bertrand. Todos os caminhos levam a Roma.